por Luminus em 23 Nov 2009, 19:33
Caros colegas,
Já devem ter percebido que eu sumi do fórum, não atualizo meu blog tanto assim (é, eu tenho um blog...) e só apareço ocasionalmente no chat. Bem, estamos um pouco complicados, sem tempo, e ficaremos ainda mais sem tempo daqui até o final de 2010. Então, eu venho aqui dizer que não terei como acompanhar o fórum tão de perto quanto gostaria.
E por que faço esse aviso aqui? Porque, ainda hoje, acessei o chat e percebi que esse enigma ainda mexe (positiva ou negativamente) com os ânimos de muitos de vocês. Então, vi-me na obrigação de dar uma resposta. Uma resposta que, fique claro, é apenas uma, mas não a única.
Em termos de RPG, eu conheço e gosto de AD&D, então eu entendi que a minha resposta derivaria de lá. Basicamente, um personagem de primeiro nível, meio elfo, mago/druida. Ele conjuraria um familiar para si (magia de 1º nível de mago) e alguns companheiros animais (magia de 1º nível de druida). Tais animais seriam aves (falcões, por exemplo, algo previsto e aprovado pelas regras).
Assim, ele instruiria esses animais para ir e voltar à sua casa, levando as moedas. No limite da apelação, ele poderia instruir seu familiar falcão (um animal de inteligência acima da média) a carregar as moedas (ou as gemas separadas em um monte pelo druida) para sua casa, além de guiar os outros falcões (companheiros animais) a fazer o mesmo (essa última parte é forçada, mas nem tanto assim, e a primeira é verossímil, o que já garante alguma coisa). Isso manteria a área isolada de curiosos, não mostraria nada de mais aos curiosos e poderia ser aprimorada à medida em que o personagem subisse de nível (a magia companheiro animal, por exemplo, garante 2DV de animais para cada nível do druida). Se o personagem começasse a treinar falcões, por exemplo, o aumento do fluxo desses animais para sua casa seria visto como normalíssimo. Essa solução poderia sre utilizada até os níveis intermediários, e manteria o local em isolamento, digamos assim.
Além disso, por ser um druida, o personagem poderia declarar a área da caverna e toda a floresta ao redor como sagrada, sendo seu dever protegê-la de invasores. Isso impediria que outras pessoas passassem por ali. Claro, dessa forma, o personagem "abandonaria" sua casa na civilização e passaria a agir de dentro da floresta, usando seus falcões (e talvez algumas corujas) para manter-se informado do que acontece nas cercanias de sua floresta.
Com o passar do tempo, o personagem poderia subir de nível sem muito contato com a civilização, aprendendo aos poucos a partir daquele tesouro (magos tem magias de identificação, druidas tem adivinhações, pode haver livros mágicos no tesouro, etc).
Enfim, mesmo com tudo isso, o personagem não utilizaria a maior parte do tesouro... ele poderia, então, utilizá-lo para financiar uma espécie de sociedade (como os Harpistas, por exemplo) e então passar a influir diretamente no mundo exterior aos seus domínios, sem no entanto botar a cara para bater.
A resposta que eu pensei foi essa.
Mas, na verdade, a resposta (e o dilema) é outro.
Essa pergunta contém uma espécie de armadilha, pois o que seria o desejo de muitas pessoas é, na verdade, uma prisão. Vida de aventuras? As glórias de um herói? As cicatrizes das batalhas vencidas e o pesar daquelas perdidas? Os amigos tombados e os inimigos vencidos? Esqueça. Você agora vive em função de uma pilha de moedas. Todos os seus planos, sonhos, ideais e desejos estão enterrados ali. Ignorá-lo, portanto, seria pior que perdê-lo. No fim das contas, ele te encontrou, e não o contrário.
Essa questão veio-me após a releitura de um poema de Mário de Andrade (ou do Carlos Drummond de Andrade), no qual oferecem-lhe, de mão beijada, todas as respostas sobre o que é a vida, qual o seu sentido, o que é na verdade esse mundo em que vivemos, etc. E ele, simplesmente, recusa acessar aquele conhecimento e dá-lhe as costas, uma vez em que uma vida de certezas seria uma não-vida. A mesma coisa pode ser dita sobre esse tesouro ter caído aos seus pés: clamá-lo para si significa uma vida de não-conquistas, não-labutas, não-aventuras, não-vitórias.
Ou não.
Nos vemos quando nos virmos!
E.
P.S.: A resposta do Lumine também é muito boa.