por Vincer em 30 Abr 2011, 16:59
Eu sou da filosofia de separar as coisas. Não criar um dmpc para se divertir não quer dizer que o mestre não se divirta. A atividade de narrar é uma outra esfera da de jogar, tem outros atrativos e formas de se divertir. Na verdade ninguém tem mais oportunidade de se divertir com personagens que o narrador, que pode ter quantos quiser(um dos principais motivos de eu preferir narrar: nenhum personagem me enjoa, eu interpreto outro estilo sempre que quiser, etc, etc).
Agora, a parte divertida de ter um personagem seu e progredi-lo? Eu sinceramente acho que isso deve ficar apenas com os jogadores. Simplesmente porque não existe imparcialidade de verdade. Vivem falando de ser impossível alcançar a imparcialidade na mídia, eu concordo, e aplico a imparcialidade como um todo. Por mais que o narrador se policie, ele pode e vai escorregar em algum momento, mesmo sem perceber. Parte da diversão de ter um personagem e progredir com ele é mantê-lo vivo, colocá-lo na ação, fazer a diferença... por mais moderado que seja, só de colocar um npc com essa mentalidade você(mesmo que em pequeno grau) vai estar roubando a atenção e importância dos demais jogadores.
E quase... roubando mesmo. Um exemplo de escorregões fáceis de acontecer? Vai me dizer que ao personagem passar de nível você compraria, chutando um exemplo, uma habilidade que dá bônus contra 'bichos tipo x' sabendo que o rumo da campanha vai por um caminho totalmente diferente onde jamais poderia aparecer um deles?
Tipo, acho que vcs sabem... não precisa fazer isso para se divertir com um personagem saca. Vc pode, tipo, entrar numa mesa como jogador entende...
Não estou dizendo que é errado e motivo para apedrejar, cada um sabe como se diverte. Mas as chances de ser injusto(sem perceber) são altas.
E sério, qualquer público que alguém lide, por mais próximos que sejam... não tem como saber se estão sendo francos ou totalmente abertos. O jogador com um gostinho de 'ele tá roubando cena' ou que se incomode com o personagem pode simplesmente não te dizer.
Mais até do que isso... muito da diversão é subjetivo. Os jogadores não notam tudo que os diverte conscientemente, nem tudo que incomoda. Às vezes o cara nem sabe dizer porque prefere mesa de fulano a de ciclano, e vai ver é justamente o fulano deixar o jogo todo nas mãos dos jogadores que é mais interessante.

