Oda Nobunaga escreveu:Virou de praxe as pessoas falaram que D&D esta copiando animes, se "orientalizando" e se "MMORPGzicando" mas...Me desculpem, eu não consigo enxergar isso. E isso vem de alguem que aceitaria com um sorriso essas mudanças.
Eu considero absolutamente evidente. Compare o AD&D com o D&D 3ª Edição e não há como não notar a influência de diversas tendências do pop oriental, a começar pelo próprio sistema - um bom preview da 3.x poderia ser encontrado no antigo suplemento de aventuras orientais da TSR (não me lembro o nome, aquele com os personagens que pulavam dez metros).
Quanto ao monge e ao ninja, havia um motivo pelo qual eles haviam sido retirados do jogo - eles destoavam do restante. Eles voltaram sob pressão popular, e não é forçar a barra imaginar que isso tem a ver com a repopularização do anime no ocidente. Definitivamente não é por acaso que a 3ª edição viu o renascimento do antigo suplemento chamado Oriental Adventures.
Deixando de lado a discussão de quantas variantes de ninja, pirata e cavaleiro existem nos suplementos, a questão é que eles são, na terceira edição, apresentados
lado a lado. O ninja e o samurai entraram definitivamente para o imaginário do que os americanos chamam de
fantasy, ao lado dos magos e cavaleiros. Se você joga há algum tempo, deve lembrar que ainda ontem ninjas e samurais eram apresentados como vindos de reinos distantes nos cenários da Wizards (Kara-Tur, por exemplo). Hoje, existem samurais anões e membros de diversas organizações nativas utilizam níveis de ninja e samurai. Até o shugenja é apresentado como um especialista dos elementos, e não como um mago oriental.
Não é um movimento isolado - a invasão cultural nipônica é um fenômeno bem documentado inclusive por acadêmicos brasileiros, como Sônia Bibe Luyten. A mesma coisa ocorreu com as HQs e desenhos animados norte-americanos, e creio que não preciso citar o impacto de desenhos como Dragon Ball Z e Naruto no Brasil. Duvido muito que algum grupo de RPG não tenha passado pela experiência de adaptar um anime ou inspirar-se na história de um para montar sua campanha. Raios, até no livro final de Vampiro um dos autores cita Shin Seiki Evangelion como uma das inspirações...
Sobre os MMORPGs - não se trata de achismo, é influência declarada por mais de um designer. Esses jogos ajudaram a repensar a função de cada classe dentro de um grupo de jogo - uma classe desbalanceada pode até ser divertida em um jogo de mesa, mas no computador a coisa muda de figura - e derrubou antigas vagas sagradas dos jogos de RPG, como a que dizia que um guerreiro não pode se curar, ou que aventureiros precisam passar horas descansando para recuperar seus recursos e suas magias. Os designers de jogos eletrônicos estão ainda mais preocupados com a diversão de seus jogadores do que o típico designer de RPG, e essa mudança de paradigma está claramente por trás de várias das mudanças de D&D 4ª edição, pra citar um exemplo.
Enfim, é claro que o RPG ainda conserva parte de suas raízes - mas elas são cada vez mais hibridizadas. Antes, um jogador criava um arqueiro inspirado no Legolas. Hoje, ou ele está pensando no Orlando Bloom ou no arqueiro de Vampire Hunter D. No lugar de Lancelot, Griffith. Eu deveria saber, tenho um jovem irmão de 13 anos se iniciando no RPG - e lhe asseguro que ele jamais sequer passou perto de Brumas de Avalon...