por ShinRyuu em 07 Abr 2008, 11:34
O interessante é que quando a 3e inventou feats, ninguém saiu dizendo que agora guerreiros têm magias. Só porque generalizaram o formato, estão dizendo que guerreiros agora têm magias.
Agora, a bem da verdade, eu acho que parte da culpa disso é da própria Wizards. Precisava chamar de poderes? Poderes automaticamente passam a idéia de magia ou de super-heróis. Tenho certeza de que essas manifestações "omfg D&D = Final Fantasy" seria bem mais reduzida se tivessem chamado apenas de habilidades especiais (tudo bem, poderes é mais curto, mas tem esse efeito colateral).
Outro problema que eu vejo da parte da Wizards é que falharam em marketear e explicar direito os exploits (poderes marciais), e falaram tanto que tudo segue a linha do Book of Nine Swords, que esqueceram de dizer que isso é mais mecânico do que estilístico. Pelo menos, eu espero que seja, e é a minha opinião baseado nos previews. Eu não vi nenhum poder marcial esquisito até agora, tudo é perfeitamente claro. O Bo9S parece, sim, Final Fantasy e congêneres, e esse é o próprio objetivo dele. O que eu vi da 4e até agora, nem parece nem tem esse objetivo. Tudo bem, qualquer habilidade que só se torna disponível após receber um certo dano ou chegar a certo nível de adrenalina inevitavelmente será comparada a limit breaks... mas, contanto que ela não inflame a sua espada ou gere um golfinho do seu punho, a comparação vai morrer na questão do dano/adrenalina, que é bem comum em jogos de vários estilos. Por sinal, estou jogando um game muito divertido, de aventura medieval fantástica, que tem adrenalina e golpe especial quando ela chega ao limite: Dark Messiah of Might and Magic. A estória é clichê puro, mas o jogo é muito divertido por causa da intensa interação com o cenário e dos cenários bem-feitos e impressionantes.
Enfim, pelo que eu vi de exploits até agora, aqueles que são limitados por encontro ou por dia o são por várias razões simples e mundanas. Um poder pode funcionar só uma vez no encontro por necessitar do elemento surpresa: o velho "você não me pega duas vezes", ou "se me enganar uma vez, tenha vergonha, se me enganar duas, a vergonha é minha". Ou, cansa o teu corpo de tal forma que você pode até tentar outro poder de encontro, mas tentar o mesmo poderia distender algum músculo que é usado de forma específica no truque e de forma diferente ou não usado no outro truque. Ou pode ser até psicológico: o medo e a vontade de lutar e sobreviver te deixam em tal estado mental que alguns truques mirabolantes se tornam menos distantes da tua capacidade naquele momento. Ou pode ser uma mera abstração de jogo pra representar aqueles momentos no combate em que todas as condições externas e internas se tornam favoráveis pra aquele truque extraordinário que você consegue fazer de vez em quando, mas sempre "na cagada". E, por fim, pode simplesmente ser uma licença dramática. Por exemplo, Legolas no primeiro filme tem uma hora que puxa duas flechas e as dispara ao mesmo tempo; no segundo filme, monta em um cavalo com uma manobra impossível; e no terceiro, escala olifantes. Agora, quão ridículo seria se ele passasse os filmes inteiros só fazendo isso? RPG é uma atividade dramática, tal como o cinema e o teatro. Entendo que não agrade a todo mundo, mas o fato é que uma das metas da 4e é tornar o jogo mais dramático e cinematográfico. E me parece que estão conseguindo.