Esse material é a estruturação de uma série de idéia que eu usei ao longo de alguns arcos de histórias, quando eu jogava RPG. Achei que ficaria interessante como um novo local/nova raça para qualquer cenário. Espero que gostem, e que comentem
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A Corte Feérica:
Há lendas antigas acerca de estranhos seres, conhecidos coletivamente como “fadas”. Geralmente, elas envolvem estranhos conhecimentos relacionados ao mundo natural, onde tais criaturas são protetores da natureza. Algumas histórias mais antigas fazem referência mesmo a um “mundo das fadas” distinto do plano
material, mas conexo a ele naturalmente.
História:
Pouco ou nada se conhece sobre a origem das fadas. Alguns suspeitam da geração a partir uma linhagem divina, outros da evolução de certos seres que hoje inexistem – filhos da natureza em seus dias gloriosos de juventude. De qualquer forma, os registros começam a ser mais exatos quando informam das antigas guerras entre os gigantes, homens e anões, que terminaram com a destruição e desertificação de vastas extensões de terras férteis. Num dado momento, esses seres intervêm sugerindo um tratado, que, mais tarde, foi adotado como base para a complicada paz.
Desde então em algumas ocasiões esse seres têm interagido com o mundo exterior. Vilarejos afastados, próximos a matas ou desertos sussurram sobre risos e luzes estranhas nas floretas e dunas, à noite, ou sobre crianças e jovens raptados, para nunca mais voltar. Há lendas mais felizes, em que o povo feérico visita povoados e confere certos presentes a população humilde, zelando pelo seu bem-estar, em troca de oferendas. Em geral a maioria das pessoas define tais seres como espíritos rústicos, entre os deuses e os mortais.
Alguns magos, pesquisando em tomos antigos, de várias raças, encontraram histórias muito diferentes. Aqui as fadas são organizadas em uma sociedade complexa, em castas, chamada de Corte Feérica, e regida por um monarca. Eles são muito poucos, menos do que se suspeitava, e muito mais afeitos a civilização do que diversos reinos humanos. Na verdade, sua sociedade se parece, sob certos aspectos, com a dos elfos.
Sociedade:
Aspetos Gerais
As fadas se dividem em cinco castas. Apesar do termo “casta”, não existe a noção de imobilidade que é aplicável em outras sociedades, ou melhor, não da forma como a entendemos. Um Pixie poderá, um dia, chegar a ostentar o nome de Elfo, mas tal acontecimento levará muito tempo e esforço, e praticamente não se nota em termos humanos. A mesma coisa pode ser dita a respeito das leis desse povo, que são praticamente incompreensíveis para estudiosos de outras raças. A relação entre esse povo e a magia também é revestida de aspectos únicos.
A família é à base da sociedade. Via de regra, casa-se dentro da casta uma única vez, e, dado o longo período de vida de alguns grupos, os casamentos são realizados apenas depois de um longuíssimo período de vida a dois. Poucas vezes a família escolhe o casamento (exceto nas duas castas mais altas) uma vez que o amor é entendido como um presente demasiado valioso para ser disposto em função de interesses privados. Ambos podem ser genitores antes da cerimônia que, uma vez realizada, inviabiliza filhos fora do casamento. A união inter-castas é possível, e reponde por um terço de todos os casamentos realizados pela população. Os filhos, nas castas mais baixas, são educados pela família por toda a vida, muito raramente recebendo direção de um parente ou amigo. Nas castas mais altas existe uma relação que envolve a fada e um parente ou amigo mais velho, escolhido pelos pais, que zelará pela educação do jovem – supervisionado pelos genitores. Ele é chamado, então, de padrinho ou madrinha, ou, mais formalmente, de Tutor.
As castas:
As castas são cinco. Segundo os estudiosos, essa ordem social guarda alguns dos maiores mistérios sobre o povo das fadas, que toca de perto questões como concepção e ascensão de uma casta para outra. A primeira será explicada posteriormente, enquanto que a segunda envolve uma série de rituais (chamados de Deÿunûn, o novo despertar) onde a fada abandona sua condição anterior, inclusive linhagem e família, sendo adotada por um dos clãs de uma casta superior. Mesmo o aspecto físico da fada é alterado, sendo que o principal da cerimônia envolve essa “morte” e “renascimento”. Ela será sempre presidida por um dos lordes da corte, e há aquelas lideradas por autoridades situadas ainda mais acima.
O que se sabe claramente é o aspecto legal da questão: Os líderes dos clãs envolvidos de cada casta se sentam com o ascendente e elaboram um acordo onde este assume diShahtos e deveres para com ambos; não raro, ele se compromete com o antigo clã (logo, com a antiga casta) a agir como Tutor dos jovens órfãos, ou prestando um serviço a casta como um todo. Ele também pode, a depender do caso, ser dispensado desse papel.
As castas são:
- Pixie: É a casta mais baixa e a mais numerosa da sociedade das fadas. Estima-se que ajam milhares delas, espalhadas pelo mundo, vivendo em locais em estado natural. São seres curiosos e animados, repleto de uma curiosidade infantil. Apesar disso, inconstantes, podem se tornar violentos e uma verdadeira praga se entenderem que estão sendo ofendidos ou enganados.
Um Pixie nasce de um ovo. Todas as fêmeas têm um depósito de esperma com o qual nascem, e, durante a vida, produzem aquela quantidade específica de óvulos, fecundados conforme a época. Após o fim da reserva de espermatozóides, a maioria das fêmeas torna-se estéril; umas poucas, porém, perto da morte gerarão mais um ovo, diferente dos demais, pois é maior e com um cor distinta (não verde com traços marrons, negros ou azuis, mas de uma cor verde-escura uniforme). Sabe-se que desse ovo nascerá um indivíduo macho fértil, um dos poucos da raça, com a função de re-fecundar com novos espermatozóides as fêmeas.
Essa casta é a mais conhecida porque é a que mais tempo passa no plano material. Seus enclaves são organizados em torno de clãs, sendo que vivem de um a três em cada local, liderados por um lorde, a quem seguirão, pagarão tributos e procurarão em casos de necessidade, como para uma batalha ou para administrar a justiça. Geralmente esse lorde é o chefe do clã mais poderoso, mas pode ser indicado por uma autoridade superior (geralmente pela corte feérica) ou eleito. Raras vezes eles vivem no “plano” da corte feérica, embora seu número se iguale aos dos outros. Eles não se ocupam dos trabalhos servis porque sãao servidos por grupos de escravos (mortais - principalmente humanos e globinoides - seqüestrados e submetidos a um tratamento com um tipo de mel que os torna dóceis e submissos). Aliás, o termo “escravos” não é muito exato, já que depois de alguns anos o ser é libertado com ricos presentes, em algum ponto que desejem – inclusive sua terra natal – como agradecimento pelos “serviços prestados”. Muito poucos se lembram dos anos que passaram com as fadas, apenas tendo flashes e uma sensação curiosa de prazer.
Um Pixie tem duas formas. Uma vez por dia ele pode alterá-la. Se for morto em uma delas, ele estará morto definitivamente, convertendo-se para a fórmula na qual passava mais tempo. A primeira é de um humanóide de mais ou menos um metro e vinte a um metro e quarenta, esguio e com pele de todos os matizes; os cabelos serão negros, castanhos ou esverdeados, e os olhos poderão ser de todas as cores – em geral negros. A segunda forma se difere pelo tamanho, já que, nela, os pixies mal terão trinta centímetros. Suas orelhas são normais, mas os dedos são mais longos e delicados do que o normal. Geralmente vivem em florestas, ou zonas arborizadas. Podem viver cerca de duzentos anos.
- Nixie: É a segunda casta. São seres em geral ligados a desertos, amando as aShahas e rochas castigadas pelo sol. Aparentam ser como humanos, mas dotados de um aspecto levemente bestial, como com chifres de órix ou de antílope, ou com uma aparência meio reptiliana. São seres misteriosos, guardiões de um mundo extremo e impiedoso, e isso se reflete nos seus modos severos e arrogantes. Os Nixies vivem da água de oásis, bem como do que o deserto proporciona: leite de camelo e de cabra, carne dos antílopes, vinho de palmeira, e da exploração das minas, a riqueza secreta dos desertos. São muitas vezes chamados de senhores das turquesas, pois amam essa pedra acima de todas as outras.
Cada clã aqui responde a um ancião mais velho, chamado de Imã; dentre eles, os mais sábios e antigos são chamados de Xeques, tendo uma autoridade moral superior, respondendo e arbitrando a vida de seu povo dentro da região que controlam. Os Xeques respondem irregularmente a um Emir, um Xeque com prestígio ainda maior. Como os Pixies, raramente optam por viver junto a corte, mas mesmo nessas são numerosos graças a vastidão de sua população.
Pouco se sabe sobre a sua reprodução, embora se acredite que ela está condicionada a uma compatibilidade entre o ser ao qual se assemelham. A quem diga que os machos e fêmeas acasalam com os animais, e dessa relação zoolófica nasceria à nova fada.
Eles não são exatamente hostis a humanos, mas não suportam a alterações no seu modus vivendi e isso inclui explorações desenfreadas das minas, caça ou destruição desnecessária dos desertos. Isso os faz grandes aliados dos nômades – uma vez ultrapassadas as desconfianças iniciais – e inimigo de seres como lâmias ou esfinges. Podem viver de duzentos a quatrocentos anos.
