Tive minha primeira experiência de jogo com o D&D 4 esse fim de semana. Jogamos Keep on the Shadowfell com um grupo formado por 5 integrantes das seguintes classes e raças: Fighter Dragonborn, Warlord Tielfling, Ranger Elf, Wizard Eladrin, Rogue Halfing. A aventura foi mestrada pelo Ric.freitas.
Primeiramente vou comentar sobre a criação dos personagens. Achei impressionantemente fácil de criar um personagem para um jogador que tenham uma idéia mínima do que quer fazer. A distribuição de stats é bem fácil de ser feita e a tabela com as sugestões de possiveis distribuições ajuda muito jogadores inexperientes a conseguir visualizar o que é possível de fazer com os 22 pontos recebidos. A escolha da raça pode causar dúvidas a alguns jogadores pois elas são todas bem balanceadas e interessantes. Escolhi jogar um Dragonborn pelo apelo de RPG e também porque a raça me dava habilidades interessantes para a classe de fighter. Seguindo em frente a desição da classe a ser escolhida passa antes pela decisão da função. Ao fazer a escolha entre defender, striker, controller ou leader o jogador pode facilmente limitar quais classes ele deve examinar antes de se decidir. Dentro das classes a decisão também é relativamente fácil. Você recebe um pequena quantidade de poderes iniciais e perícias, o que facilita as escolhas. A decisão das perícias que outrora era motivo de muita divagação e indecisão agora resume-se a escolher em quais perícias você é ou não treinado. A aparente falta de profundidade nisso não se traduz como verdade no jogo. Agora as perícias se fazem muito mais presentes no jogo e são muito mais importantes. A completa ausência de uma delas pode em alguns momentos deixar o grupo sem importantes opções. Mesmo a escolha de feats que antes recebiam uma atenção demasiada devido a dificuldade ou até impossibilidade de serem mudados agora se tornou mais fácil sob o prisma do retreinamento, que lhe permite trocar um feat mal escolhido no momento do level up. No fim das contas tinha terminado minha ficha em cerca de 10 minutos. Avancei então para a compra de equipamentos. Essa também foi facilitada, com o Kit básico do aventureiro que contém basicamente tudo que você vai precisar inicialmente, deixando o necessário para comprar armas e armaduras. Eu terminei a criação do meu personagem com apenas 3 GP, mas comprei exatamente o que gostaria. E então estava pronto para a sessão do jogo.
Jogamos a primeira parte da aventura Keep on the Shadowfell, até o encontro da caverna com a cachoeira. Vou abordar as experiências que tivemos em cada um deles. Vale notar que os encontros foram feitos para valer, com o DM jogando sem aliviar nos dados em momento algum para evitar wipes e situações extremas. Jogamos dessa forma para sentir o sistema e verificar entre outras coisas a letalidade dele.
Recebemos a missão para ir a Winterheaven e no caminho fomos atacados por um grupo de Kobolds. Todos os jogadores ainda estavam meio perdidos em como o combate se desenvolveria. Os que melhor entenderam a função de suas classes e tiveram facilidade dentro do combate foram o Fighter e o Warlord. Porém vencemos os Kobolds sem grandes problemas. Neste combate já foi possível notar o quanto as novas habilidades são úteis. Na minha função de defender eu consegui efetivamente manter inimigos ocupados e afastados de vários outros membros do grupo e jogando em par com o Warlord fizemos um senhor estrago no grupo de Kobolds usando Wolf Pack Tatic, Cleave e Covering Strike usando a facilidade de nos movimentarmos por entre eles para flanquear os mais fortes e matar os mais fracos (minions) com cleave. Os outros membros ainda tiveram o pensamento de atuar individualmente como no antigo D&D 3.5 e tiveram um pouco mais de dificuldade.
Aqui no entanto surgiu o primeiro problema visivel na minha opnião. Quando os jogadores podem visualizar que será possível descansar em breve eles sentem uma relativa liberdade de usar seus daily powers. Isso não é nada terrível, porém é importante que o DM surpreenda seus jogadores de tempos em tempos com encontros em momentos inesperados para que os mesmos não abusem da mecânica de jogo mesmo que inconscientemente.
Chegamos ao vilarejo de Winterheaven e passamos a parte social da campanha. Neste momento pude ver que personagens que não são especialistas em certas perícias podem ser úteis. Mesmo sem um atributo monstruoso em carisma meu Dragonborn fighter por ser treinado ainda foi capaz de fazer seu teste de Streetwise e obter um bom resultado. Exploramos a cidade com alguns encontros sociais e partimos em direção a um covil de Kobolds não muito distante da cidade para investigarmos.
No caminho o segundo encontro contra Kobolds. Esta luta que não tinha minions envolvidos foi um pouco mais demorada. A maioria dos monstros tinha mais HP do que estamos acostumados na 3.5 e por isso o combate pareceu durar mais. Porém ai começamos a ver que as táticas do jogo mudaram. Agora focar o fogo em um inimigo tornou-se uma tática efetiva para diminuir o número deles. E o exercício das funções passou a ser representativo. Se parte do grupo estiver atuando mal dentro da sua função o restante fica consideravelmente sobrecarregado. Nosso rogue e wizard estavam agindo aquém do esperado. O primeiro perdendo muitas oportunidades de usar sneak com combat advantage (e ainda por cima rolando o dano do sneak errado, com apenas 1 dado) e o segundo havia focado suas magias mais em dano e estava mais preocupado em se manter longe dos inimigos do que em controlar eles. Nosso ranger sofreu a sessão quase todo de uma onda de azar infinita rolando inúmeros resultados abaixo de 5. Sobrou então o Fighter e o Warlord agindo em conjunto usando a mesma tática descrita antes. Neste encontro algumas coisas já ficaram mais complicadas. Tive receio de usar meus daily powers sem saber do que poderiamos enfrentar mais adiante. Tive que considerar seriamente se deveria usar o Comeback Strike para me curar ou não e acabei só fazendo isso realmente quando vi a necessidade. Neste momento senti que o sistema evoluiu pois a decisão estratégica passou pela minha cabeça seriamente antes de decidir pelo uso do poder. Vencemos os Kobolds após 5 rodadas sem nenhuma morte ou qualquer jogador chegar a 0. Porém neste encontro meu HP chegou a 3 em um determinado momento. Também durante este encontro ví que o fighter passou a ter um papel representativo no controle do campo de batalha pois o DM sentiu dificuldade de usar seus kobolds devido a minha presença e uso do combat challenge, chegando a reclamar de brincadeira que eu era um chato.

Seguimos viagem e depois de 1 dia nos aproximamos do covil dos kobolds. Enfrentamos então um combate contra 15 Kobolds. Anteriormente esse combate seria o pesadelo de da maioria dos mestres pelo número de inimigos presentes. Porém a idéia dos minions ajuda muito o desenvolvimento rápido do combate. Eles são uma ameaça constante pois conseguem lhe atingir com frequência, especialmente se usando táticas para flanquear os inimigos. Porém por morrerem com um acerto eles podem ser rapidamente eliminados e não forçam o DM a controlar o HP de dezenas de NPCs. O combate contra estes 15 inimigos durou apenas 4 rounds. Com o uso correto de ataques de área do fighter, com o dragon breath, e do wizard conseguimos reduzir o número dos oponentes rapidamente e permitir que os strikers agora já mais entrosados pudessem eliminar os inimigos com mais HP rapidamente. Novamente as habilidades das classes fizeram muita diferença, com uso de slides, pushes, etc conseguimos navegar entre um mar de kobolds para elimina-los sem problemas.
Aqui no entanto surgiu outro problema. Notamos que um personagem que esteja escondido em uma área com cobertudo pode facilmente se esconder novamente movendo-se pouco, já que não é imposto nenhum redutor por ele ter atacado a partir de uma posição. Impusemos então um redutor de -5 e a necessidade de mover-se para o personagem se esconder novamente se ele tiver acabado de atacar.
Terminado esse combate descansamos por 5 minutos e decidimos verificar a caverna atrás da cachoeira. Nosso ladino foi na frente e verificou que haviam mais Kobolds dentro da caverna. Decidimos então por um plano brilhante de atrair os Kobolds para fora da caverna para lutarmos com eles em um local de estrangulamento. Pena que os planos mais brilhantes normalmente fracassam. Na rodade de surpresa matamos 1 minion e os outros Kobolds buscaram abrigo atrás das paredes no fundo da caverna. Avançamos para dentro da caverna e começamos a combater. Neste momento tivemos alguns problemas. O Wizard ficou com um bocado de receio por causa do ambiente apertado e o número de Kobolds e acabou não agindo tão bem quanto deveria. O Rogue por desconhecimento de algumas regras como a de charge perdeu algumas chances de usar ataques furtivos e poderes at-will.
O combate progrediu normalmente durante um tempo até que surgiu um goblin. Ai encontramos uma falha por parte do DM. A entrada do goblin em combate foi algo que surpreendeu todos os jogadores porém encaramos como apenas mais um inimigo pois não houve nenhuma descrição especial para ele. Pouco depois no combate começamos a ver ele usar habilidade especiais muito fortes e receber uma quantidade de dano fora do normal e nos tocamos que esse inimigo era consideravelmente mais forte que os outros. Porém neste momento já tinhamos gasto muitos recursos em outros inimigos e tomamos uma surra consideravel.
Durante esse combate o wizard e o warlord tombaram e ficaram a beira da morte. Neste momento sentimos a letalidade do jogo, que está maior do que imaginamos. Falhar 3 vezes seguidas em saves não é tão difícil quanto se imagina e em combates com muitos mobs as vezes é difícil se desvencilhar para tentar salvar um amigo. Não tinhamos poções e falhamos no teste de skill de heal portanto morreram ambos.
Questionamos depois de terminada a sessão que houve uma falha do DM ao descrever o Goblin pois acreditamos que um monstro Elite tem que ter algum destaque para que os jogadores o encarrem como uma ameaça. Eu mesmo não me preocupei em defender os jogadores desse monstro até que ele começou a destruir alguns dos nossos personagens. Outra coisa que foi questionada é que monstros elite sofrem muito pouco com situações que permitem coup-de-grace, pois como tem um valor de bloodied muito alto é extremamente difícil de você matar um inimigo deste tipo desta forma.
Novamente esse encontrou nos demonstrou que se parte de grupo jogar mal ou não fizer uso de todas as suas habilidades corretamente em combates dificeis podem haver situações de revés.
No geral a sessão fluiu muito bem, todos acharam o sistema divertido (o mago reclamou um pouco por que realmente não entendeu o conceito de controller). Jogamos das 11h as 17h, dentro deste tempo gastamos um bocado de tempo com RPG, tivemos que parar algumas vezes para consultar as regras e tirar dúvidas e mesmo assim todos os combates pareceram ter durações aceitaveis. Eles são bem engajantes com todos os participantes tendo o que fazer e tormar decisões táticas o tempo todo. Comunicação usando ações livres de fala passou a ser algo bem importante, o que aumenta o RP durante o combate.
Ainda não vou dar um veredito final até terminarmos a aventura toda. Imaginamos que deveremos ter ainda 3 a 4 sessões. A cada uma eu virei aqui e postarei falando um pouco sobre ela.












